Pe. Heitor Frisotti

Quem foi

BAHIANO DE CORAÇÃO… E DE ADOÇÃO

Italiano, veio ao Brasil – e Salvador (Bahia) – em 1984, para realizar atividade missionária. Ficou logo encantado pela beleza do país e principalmente pelas riquezas culturais de suas populações.  Desde o início, teve a sorte de conhecer pessoas que o ajudaram a “entrar” na realidade. Sobretudo a realidade do povo mais simples. Uma longa viagem que o levou a descobrir um mundo que ele nunca imaginara poder alcançar um dia. Seu testemunho e suas intuições continuam iluminando as escolhas daqueles que buscam manter viva sua memória e se inspiram em seu testemunho.

Nesta página recolhemos seus pensamentos e suas reflexões, na  certeza que podem ajudar outros a desenvolver práticas de encontro, diálogo e respeito que são a matéria prima com a qual se constroi a sociedade de amanhã.

Num terreiro, as plantas e folhas, os animais, as pessoas e a comunidade, até mesmo a água e a fogo, a terra e as pedras, a ar e o vento, as orixás e as forças espirituais, precisam se alimentar. E isso não é sinônimo de fraqueza ou inferioridade, mas de vida. Tudo o que vive precisa se alimentar, pois tudo o que vive transmite sua energia e ‘se gasta’. Você pega umas folhas para fazer um chá? Lembre-se de alimentar a planta que para você sofre e trabalha ao lhe dar uma parte de si mesma e de sua energia para a vida. Muita gente vem assistir a festa de can­domblé? Ofereça comida para todos. Para isso foi preparada. Mesmo para aquelas pessoas, ­entre elas crianças, bêbados e mendigos, que só vem para comer e em abundância. Você está bem de vida? Lembre-se de oferecer algo para comer ao orixá que rege sua vida, pois ele muito trabalha para isso acontecer.

… À tardinha, antes de uma celebração de candomblé, a reza começa invocando os antepassados, aqueles que vieram antes de nós. Não qualquer morto, mas os antepassados, aqueles que marcaram a memória dos descendentes por ter promovido a vida, a sabedoria e muita force. Começa-se pelos mais próximos, aqueles dos quais ainda se tem uma lembrança viva, e, aos poucos, vai-se entrando nos tempos até as origens como, ao subir um rio, aos pou­cos, nos aproximamos da fonte. Acontece que todo antepassado lembrado, traz consigo paren­tes: os irmãos e irmãs, primos e tios, crianças e adultos, gente próxima e que está longe. Quanto mais se sobe no tempo, mais gente se junta. E quando se chega à fonte, a Deus, ninguém está sozinho, mas na companhia de muita gente. Só é possível estar diante de Deus em comunidade. E, quanto mais ampla, melhor.

E tudo isso é Axé.

… O sinal mais evidente de que Deus faz festa com seus filhos é a comida. Toda festa no terreiro tem comida: para os orixás, para a comunidade e para todo visitante. A celebração não é inter­rompida no momento em que se serve comida, pois a comida e celebração é parte integrante da festa. 0 que pertence também à essencia do cristianismo. Afinal, Jesus escolheu uma ceia para simbolizar da maneira melhor o amor de Deus pela humanidade. Nada mais sagrado do que partir o pão e distribuir vinho, símbolos de partilha, doação, esperança e festa.

(Impressões de viagem, 1997)

Textos

AFRO-AMÉRICA: O TERREIRO NOS EVANGELIZA – Reflexões a partir da fé e da luta dos terreiros de candomblé em Salvador/BA, nos séc. XIX e XX – (Trabalho de aproveitamento para a disciplina de História da evangelização na A. L. Prof. José Oscar Beozzo – São Paulo, 4 de outubro de 1990)

BEBER NO POÇO ALHEIO – Religiões afro-brasileiras. Caminhos de fé e libertação

CARTA A TONINHO (e Taborda) e a Estrada, junho 1985

COMO SAMARITANOS – Artigo para a revista Sem Fronteiras

COMUNIDADE NEGRA, EVANGELIZAÇÃO E ECUMENISMO – Cadernos de pesquisa 1 – 1992

DISCRIMINAÇÃO E PROXIMIDADE – Igreja católica e religiões afro-brasileiras na história do Brasil – Salvador, 1997

OUTRO NOME, OUTRA HISTÓRIA  – Igreja e religiões afro-brasileiras no Brasil Colônia  – Salvador/BA, 1996

RESISTÊNCIA E LUTA – Igreja e religiões afro-brasileiras no Brasil Império – Salvador/BA, 1996

ORGANIZAÇÃO E PROTESTO – Igreja e religiõe afro-brasileiras no Brasil República

CIDADANIA E PLURALIDADE – Igreja e religiões afro-brasileiras nas Últimas décadas

ENTREVISTA A HEITOR – A Filomeno Ceja – Salvador/BA, dezembro de 1989

FORA DAS CEBS NÃO HÁ SALVAÇÃO? – Observações sobre Igreja, Dogma e Poder (Trabalho de aproveitamento para as disciplinas de História do Dogma, prof. Roque Frangiotti – Ecclesiologia, prof. B. Beni dos Santos – História da Igreja na A.L., prof. José O. Beozzo – São Paulo, 24 de novembro de 1991)

IMPRESSÕES DE VIAGEM – Traços de um pensar e de uma prática de fé do povo-de-santo que fazem diferença. Salvador/BA, 29 junho 1997

O CRISTO DOS PODEROSOS E O JESUS DOS POBRES – Procura de fontes para uma cristologia negra no Brasil – Biblioteca comboniana afro-brasileira Serviço de Documentação – Salvador/Bahia – Cadernos de pesquisa – 3 – Salvador 1992

O DIÁLOGO ENTRE A TEOLOGIA CRISTÃ E AS RELIGIÕES AFRO-AMERICANAS – Seminário – Salvador/BA, 26-30/09/1988

OPTAR COM OS POBRES – Observações sobre teologia e culturas na prática eclesial no Brasil – Cadernos de pesquisa – 2

PASSOS NO DIÁLOGO – Igreja católica e religiões afro-brasileiras, Paulus, 1996

POVO NEGRO E BÍBLIA: Caminhos de aproximação – CIB (Curso Intensivo Bíblico do CEBI) – Semana: Bíblia e Negritude – Salvador, 29/08-02/09/1994

RELAÇÃO PREPARADA PARA O ENCONTRO DE ESMERALDAS – 1983

UM JEITO NOVO DE TODAS AS COMUNIDADES SE UNIREM – O ecumenismo popular e suas dimensões- Trabalho de aproveitamento para a Disciplina de Ecumenismo e Missão – Prof. Júlio H. de Santa Ana – São Paulo,  6 de janeiro de 1991

UM OLHAR DIFERENTE – Mudanças de práticas e compreensão da Igreja Católica diante das religiões afro-brasileiras – Dissertação apresentada à comissão julgadora da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção como exigência parcial para a obtenção do grau de mestre em Teologia Dogmática sob a orientação do Prof. Dr. Benedito Ferraro, São Paulo, 1994

VIAGGIO PER CONTO DI NIGRIZIA – Fevereiro/Março 1983

Seminário pe. Heitor

Todos os anos o CENPAH promove um seminário para retomar e aprofundar temas caros a Heitor. É uma maneira de fortalecer e renovar a opção pelo mundo afro e de contribuir assim para a construção de um novo Brasil, inclusivo, plural e mais justo.